Tratamento Conservador do Câncer de Mama

 

Diante do diagnóstico de câncer de mama, a principal pergunta das pacientes é se será necessário perder toda a mama no tratamento da doença. Essa questão é natural e importante, sobretudo porque a mastectomia radical (remoção cirúrgica da mama) era o tratamento de escolha do câncer de mama há algum tempo atrás.

 

 

Contudo, o tratamento cirúrgico do câncer de mama sofreu expressivas mudanças nos últimos 30 anos. Hoje em dia, cirurgia conservadora é o tratamento padrão para o câncer de mama em estádio inicial.

 

A cirurgia conservadora é também chamada de quadrantectomia mamária, que consiste na remoção de um segmento ou quadrante da mama acometido pelo tumor. O tratamento conservador do câncer de mama visa à preservação da mama, sem o impacto emocional e estético que a mutilação do órgão representa para a mulher. Vale ressaltar que o tratamento da axila (linfadenectomia axilar) vai depender do comprometimento ou não dos linfonodos da cadeia axilar pela doença.

 

O tratamento completo envolve a realização obrigatória de radioterapia e, em alguns casos, químio e/ou hormonioterapia adjuvante. A radioterapia é parte indispensável do tratamento. Uma série de estudos tem demonstrado que a adição de radioterapia ao tratamento local não somente reduz as taxas de recidiva loco-regional como também aumentam a sobrevida global, tanto para mulheres na pré como na pós-menopausa.

 

Com a implementação dos programas de rastreamento (como realização de mamografia anualmente) e o uso emergente de tratamento sistêmico neoadjuvante, um crescente número de pacientes está sendo considerado elegível para o tratamento conservador. O tratamento sistêmico neoadjuvante consiste em iniciar a quimioterapia antes da cirurgia, com o objetivo de reduzir o tamanho tumoral e viabilizar a realização de uma abordagem conservadora nos casos em que só a mastectomia poderia remover cirurgicamente toda a lesão. Esta abordagem clínica permite a cirurgia conservadora em 50 a 75% das pacientes com indicação primária de mastectomia pela extensão anatômica do tumor.

 

É importante a compreensão de que nem todas as pacientes poderão ser submetidas ao tratamento conservador. Pacientes que apresentam tumores volumosos e com comprometimento da pele pelo tumor podem necessitar de uma mastectomia para atingir o objetivo de remover completamente o câncer. Pacientes que apresentam uma relação volume da mama/tamanho tumoral insatisfatória, como, por exemplo, uma mulher com seio muito pequeno e tumor grande, podem ter indicação de mastectomia pelo aspecto estético ruim que deixaria a remoção apenas de uma quadrante da mama.

 

Nos casos em que a paciente não pode se submeter à radioterapia, seja por já tê-la realizado no passado ou por apresentar contraindicações para sua realização (gestação, doenças do colágeno, etc), seria indicada uma mastectomia. Em outras palavras, mulheres com contraindicação para radioterapia não podem ser submetidas ao tratamento conservador. Outra contraindicação absoluta ao tratamento conservador é a presença de doença multicêntrica conhecida ou suspeita pela presença de microcalcificações de aspecto maligno em outras áreas da mama.

 

Apesar de suas vantagens estéticas, o tratamento conservador do câncer de mama está associado a um maior risco de recidiva local. Deste modo, as pacientes tratadas com cirurgia conservadora devem receber atenção especial neste sentido. É recomendado exame clínico trimestral nos dois primeiros anos, semestral entre o terceiro e o quinto ano de seguimento e após, anual. É aconselhável a realização de mamografia-controle seis meses após a cirurgia para certificação radiológica da excisão completa da lesão. Mamografia bilateral subsequente deve ser realizada anualmente por toda a vida.

 

Portanto, a avaliação inicial da paciente com câncer de mama e a abordagem cirúrgica primária devam ser extremamente criteriosas para a definição mais exata da extensão local da doença, e os critérios de seleção para o tratamento conservador devem ser seguidos na íntegra.

 

Diante de um diagnóstico de câncer de mama, converse com seu Mastologista sobre as opções de tratamento e não esqueça que, na hora da escolha, o mais importante é que conceitos básicos da cirurgia oncológica sejam seguidos de forma rígida.

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Clínica inova com serviço de diagnóstico rápido – Edição Setembro 2016

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